Apenas três clubes da Série A tiveram lucro em 2024

Um levantamento recente, baseado em demonstrativos financeiros publicados pelos próprios clubes, revelou que apenas três dos vinte times da Série A do Campeonato Brasileiro conseguiram fechar o ano de 2024 com saldo positivo. O número acende o alerta sobre a sustentabilidade financeira do futebol nacional e escancara as dificuldades de gestão na maioria das agremiações.

O cenário geral da Série A

O estudo considerou receitas recorrentes, despesas operacionais, folha salarial e resultados líquidos. A principal conclusão é que a maioria dos clubes ainda opera no vermelho, com dívidas acumuladas e dependência de receitas instáveis, como venda de jogadores e bilheterias. A folha salarial, muitas vezes superior a 70% do faturamento, continua sendo o principal vilão.

Dos vinte clubes, pelo menos dez apresentaram déficits superiores a R$ 20 milhões. Os que conseguiram lucro foram os que aliaram gestão profissional com receitas diversificadas e controle de custos.

Os três clubes que se destacaram

Segundo analistas de finanças esportivas, os clubes que aparecem na lista dos lucrativos são aqueles que investiram em profissionalização da gestão e aumentaram suas receitas fora do campo. Veja o perfil de cada um:

Flamengo

Como maior torcida do país e com receitas recordes de bilheteria, quadro social e patrocínios, o Flamengo mantém uma estrutura de receitas recorrentes que permite absorver investimentos sem comprometer as contas. A classificação para o Mundial de Clubes de 2025 também garantiu premiações importantes. O clube rubro-negro é frequentemente citado como exemplo de equilíbrio financeiro no futebol brasileiro.

Palmeiras

O Palmeiras conta com uma parceria estável com a Crefisa, que garante receitas fixas anuais, e uma gestão de contratos que mantém a folha sob controle. Além disso, o clube tem gerado receitas com a venda de atletas formados na base, como Endrick e Estevão, e com a modernização do Allianz Parque, que ampliou a bilheteria e o rentável mercado de shows e eventos.

Fortaleza

O clube cearense tem se destacado pela gestão sóbria e pelo crescimento sustentado. Com sócio-torcedor forte e bilheteria cada vez maior, o Fortaleza conseguiu equilibrar as contas mesmo com um orçamento menor que a média da Série A. A venda de jogadores como Moisés e Yago Pikachu também gerou receitas extras que ajudaram a fechar o ano no azul.

Por que os demais clubes não lucraram?

Os principais entraves são a falta de controle de gastos, a má gestão de contratos de patrocínio e a dependência excessiva dos direitos de televisão, que representam uma parcela cada vez menor da receita total diante da inflação dos salários. Clubes com dívidas fiscais elevadas ainda precisam destinar parte significativa do orçamento para o pagamento de juros e parcelamentos, o que inviabiliza o lucro.

Outro fator importante é a necessidade de investir em infraestrutura — estádios, centro de treinamento, categorias de base — sem um retorno imediato. No curto prazo, esses investimentos pressionam o resultado. Mas, sem eles, não há aumento de receita no longo prazo.

O que esperar para 2025

Com a reforma tributária em discussão e a entrada de novos patrocinadores, a perspectiva para 2025 é de melhora lenta. Clubes que adotarem práticas de governança e compliance terão mais chances de sair do vermelho. O Flamengo, por exemplo, já sinaliza orçamento equilibrado e projeta investimentos em reforços sem comprometer a saúde financeira.

Para o torcedor rubro-negro, entender as finanças do clube é essencial para cobrar transparência e pressionar por uma gestão cada vez mais profissional. Até porque, como se vê, lucro na Série A ainda é exceção, não regra.

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