Globo e a Record se calam contra presidente da CBF por interesses

Briga por espaço na Copa 2026 explica o silêncio de Globo e Record diante das denúncias contra Ednaldo Rodrigues na CBF.

Cléber Machado (Record) e Luís Roberto (Globo) – Foto: Reprodução
Cléber Machado (Record) e Luís Roberto (Globo) – Foto: Reprodução

Enquanto denúncias se acumulam contra a gestão de Ednaldo Rodrigues na CBF, duas das maiores emissoras do Brasil optam por não repercutir o assunto. Tanto a Globo quanto a Record têm evitado trazer à tona investigações ou polêmicas envolvendo o presidente da entidade. A razão vai além da política esportiva: está diretamente ligada à disputa milionária pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026.

Com a cobertura do Mundial se aproximando, manter bom relacionamento com a CBF e seus bastidores se tornou prioridade estratégica. Afinal, o acesso a entrevistas exclusivas, credenciais e imagens especiais pode ser decisivo para a audiência e para o faturamento das redes.

Globo e Record disputam espaço na nova era do futebol

Nos últimos anos, o cenário de transmissões esportivas mudou radicalmente. A Globo, que já reinou sozinha no Brasileirão e na Copa do Brasil, passou a dividir espaço com plataformas como Prime Video, CazéTV e até mesmo a Record. No próximo Brasileirão, a Globo exibirá nove dos dez jogos por rodada, mas já sente a perda de influência no futebol nacional.

Com o futebol cada vez mais fragmentado, a relação política ganhou peso inédito. Não basta apenas dinheiro; aproximação e favores nos bastidores se tornaram tão valiosos quanto os lances dentro de campo.

Direitos da Copa e influência da CBF

Para a Copa do Mundo de 2026, a Globo já garantiu metade dos jogos, incluindo todos da Seleção Brasileira. A Record, por sua vez, busca espaço na outra metade das partidas, reforçando a importância de manter pontes abertas com quem influencia nos bastidores.

Mesmo que oficialmente a FIFA seja responsável pela venda dos direitos de transmissão, o bom trânsito junto à CBF pode ser crucial para viabilizar cobertura, entrevistas e bastidores de alto nível — fatores que impactam diretamente a audiência e a receita publicitária.

O outro lado da moeda

A ausência de reportagens críticas, no entanto, gera incômodo em setores do jornalismo esportivo e entre torcedores atentos. Em momentos anteriores, denúncias graves envolvendo cartolas do futebol ganhavam espaço em telejornais de grande audiência. Agora, o silêncio das emissoras sugere uma escolha estratégica: preservar o acesso aos bastidores do futebol, mesmo que isso custe a imagem de independência.

Enquanto isso, reportagens de portais independentes e internacionais continuam a lançar luz sobre a gestão da CBF, incluindo suspeitas envolvendo assinatura de documentos e repasses financeiros milionários a dirigentes.

O futebol brasileiro segue disputado não apenas nos gramados, mas também nos bastidores — onde a imprensa, muitas vezes, joga um papel tão decisivo quanto os próprios jogadores.

Eduardo El Khouri

Eduardo El Khouri

Arquiteto & Urbanista, Corretor e Jornalista digital com mais de uma década de experiência em sites de notícias do CR Flamengo. No Inflamados, a união entre a credibilidade da informação e a vibração da torcida.

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