Flamengo lidera faturamento com bilheteria e sócio-torcedor no Brasil

Flamengo lidera o Brasil em bilheteria e estádio, mas fica bem atrás de europeus e sul-americanos em número de sócios-torcedores.

Criança no meio da torcida do Flamengo - Foto: Adriano Fontes
Criança no meio da torcida do Flamengo – Foto: Adriano Fontes

O Flamengo é soberano quando se fala em arrecadação com estádio e sócio-torcedor no Brasil. Em 2024, o clube faturou R$ 166 milhões com receitas de matchday — sendo R$ 118 milhões apenas com bilheteria. É mais do que qualquer outro time do país e reforça o impacto direto da torcida rubro-negra na saúde financeira do clube.

Por outro lado, o programa de sócio-torcedor, embora consolidado no Brasil, ainda está muito longe dos modelos adotados por gigantes da Europa e da América do Sul. É um contraste que liga o alerta: o Flamengo lidera no país, mas ainda tem espaço — e necessidade — para evoluir.

Flamengo lidera arrecadação com estádio e sócio-torcedor

O relatório Convocados Galapagos Outfield 2025 mostra que o Flamengo faturou R$ 118 milhões com bilheteria e R$ 48 milhões com operação do estádio em 2024, totalizando R$ 166 milhões em receitas diretas com matchday. A distância para os demais clubes é expressiva: Palmeiras aparece com R$ 109 milhões, Corinthians com R$ 85 milhões e São Paulo com R$ 78 milhões.

O impacto da torcida nesse número é inquestionável. Com o Maracanã lotado em praticamente todos os jogos, presença constante em fases decisivas e uma cultura de apoio presencial, a Nação Rubro-Negra se consolida como a mais presente — e mais lucrativa — do Brasil.

📊 Ranking – Receita Matchday 2024

  1. Flamengo – R$ 166 milhões
  2. Palmeiras – R$ 109 milhões
  3. Corinthians – R$ 85 milhões
  4. São Paulo – R$ 78 milhões
  5. Atlético-MG – R$ 71 milhões
  6. Grêmio – R$ 60 milhões
  7. Fluminense – R$ 48 milhões
  8. Internacional – R$ 43 milhões
  9. Botafogo – R$ 42 milhões
  10. Cruzeiro – R$ 39 milhões
  11. Vasco – R$ 38 milhões
  12. Bahia – R$ 29 milhões
  13. Fortaleza – R$ 22 milhões
  14. RB Bragantino – R$ 15 milhões
  15. Athletico – R$ 14 milhões
  16. Cuiabá – R$ 8 milhões
  17. Vitória – R$ 7 milhões
  18. Atlético-GO – R$ 6 milhões
  19. Juventude – R$ 6 milhões
  20. Criciúma – R$ 4 milhões

Sócio-torcedor: o desafio de crescer globalmente

Apesar da liderança nacional, o Flamengo ainda está muito atrás dos principais clubes do mundo em número de sócios-torcedores ativos. O relatório mostra um comparativo que escancara essa diferença. Veja os números:

  • Flamengo – 73 mil
  • Boca Juniors – 315 mil
  • River Plate – 270 mil
  • Benfica – 270 mil
  • Bayern de Munique – 297 mil

É isso mesmo. Clubes com torcidas menores e mercados menos potentes do que o Brasil, como Benfica e River, têm bases de sócios muito superiores. O Bayern de Munique, por exemplo, tem quase quatro vezes mais sócios que o Flamengo.

Enquanto o Rubro-Negro cresce no engajamento digital e domina a presença de estádio, a conversão desse público em programas de fidelidade ainda patina. A pergunta que fica é: como transformar essa potência de torcida em uma base fiel e sustentável, como fazem os grandes da Europa?

🎟️ Ranking – Receita com Bilheteria/Sócio-Torcedor 2024
(Fonte: Relatório Convocados Galapagos Outfield 2025)

  1. Flamengo – R$ 243,6 milhões
  2. Corinthians – R$ 139,2 milhões
  3. Palmeiras – R$ 126,7 milhões
  4. Atlético-MG – R$ 112,9 milhões
  5. Grêmio – R$ 111,0 milhões
  6. Internacional – R$ 104,9 milhões
  7. Fluminense – R$ 99,1 milhões
  8. Cruzeiro – R$ 83,5 milhões
  9. Bahia – R$ 83,0 milhões
  10. Athletico – R$ 85,5 milhões
  11. Fortaleza – R$ 64,6 milhões
  12. Santos – R$ 34,3 milhões
  13. Criciúma – R$ 23,1 milhões
  14. Cuiabá – R$ 14,7 milhões
  15. Atlético-GO – R$ 13,6 milhões
  16. RB Bragantino – R$ 7,0 milhões
  17. Juventude – R$ 4,3 milhões
  18. São Paulo – Não discriminado
  19. Vasco – Não discriminado
  20. Vitória – Não discriminado
  21. Botafogo – Não informado

Modelo atual limita o potencial

Hoje, o programa de sócio-torcedor do Flamengo está atrelado principalmente ao acesso aos ingressos. Isso funciona bem para quem mora no Rio de Janeiro ou pode frequentar os jogos no Maracanã. Mas a maioria da Nação Rubro-Negra está espalhada pelo Brasil — e até pelo mundo.

O modelo europeu vai além: entrega benefícios exclusivos, conteúdos personalizados, acesso a bastidores, votações internas, experiências digitais e até participação em decisões do clube. Ou seja, fideliza quem nunca foi ao estádio, mas se sente parte da instituição.

Se o Flamengo quiser chegar no nível dos grandes do mundo, precisa pensar o programa além do “jogo de domingo”.

Potencial gigantesco de crescimento

O próprio relatório reconhece: “Sócios-torcedores são fonte relevante de receita para clubes da Série A, mas ainda distantes dos números de clubes de mesmo porte no cenário internacional.”

Com a audiência que tem, com a força nas redes sociais e com uma marca global, o Flamengo tem tudo para dar esse salto. Basta querer.

Expandir a base de sócios com modelos alternativos, integrar experiências digitais, oferecer produtos premium e criar laços com a torcida fora do eixo Rio-São Paulo pode representar um novo patamar de arrecadação.

A força da arquibancada continua decisiva

Seja no Maracanã lotado ou na assinatura mensal do programa de sócios, a torcida é — e sempre será — o maior patrimônio do Flamengo. O que os números de matchday provam é que o torcedor segue carregando o clube. Agora, falta o clube encontrar novas formas de abraçar ainda mais essa galera.

Com o Maracanã lotado, recordes de bilheteria e uma marca que cresce a cada temporada, o Flamengo segue como referência no Brasil. Mas a ambição rubro-negra é internacional. E, nesse ponto, ainda há degraus a subir.

Eduardo El Khouri

Eduardo El Khouri

Arquiteto & Urbanista, Corretor e Jornalista digital com mais de uma década de experiência em sites de notícias do CR Flamengo. No Inflamados, a união entre a credibilidade da informação e a vibração da torcida.

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